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A mostrar mensagens de Abril, 2013

Lars von Trier e os seus prólogos

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Antichrist chegou em 2009 pelas mãos do realizador dinamarquês para imediatamente causar controvérsia. Inicia o seu filme com um prólogo, uma sequência em slow motion e a preto-e-branco. Um casal a fazer sexo e uma criança a caminhar para a morte, duas situações distintas a acontecer em simultâneo.  A carga da cena é de uma extrema agonia para o espectador, mas por outro lado consegue ser uma das sequências mais belas da história do cinema. Observamos todas as expressões das três personagens envolvidas e os seus passos lentos e demorados. Somos arrastados numa corrente de dor que devido ao seu ritmo lento parece não acabar, nunca deixando de captar a atenção do espectador. Brilhante o momento em que observamos a criança a cair da janela no preciso momento em que a sua mãe está prestes a atingir o orgasmo. No decorrer do filme percebe-se o quanto esta personagem associa o sexo à morte do seu próprio filho. Não deixa de ser interessante ao pensarmos que aquela criança nasceu a partir de…

A muleta da imagem (V)

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Completa hoje 56 anos aquele que se afirma como um dos meus realizadores predilectos. Falo portanto do polémico Lars von Trier.  Enquanto não temos outra hipótese senão esperar por The Nymphomaniac, resta ir revendo alguns dos melhores momentos da sua carreira. Dogville (2003) é um filme soberbo que mesmo no decorrer dos créditos finais não perde a sua genialidade. Ao som de "Young Americans" do britânico David Bowie, desfilam imagens que ilustram a pobreza e decadência na América.

Lista: Espaços de Cinema

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Sou um confesso obcecado no que toca a listas, tops e afins. É com entusiasmo que perco grande parte do meu tempo a tentar reunir filmes perante um determinado tema, seja para os glorificar ou diminuir, ou simplesmente para os destacar. Surgiu-me a ideia de Espaços de Cinema, uma lista que pretende destacar filmes que de uma forma ou outra atribuem uma determinada importância a uma sala de cinema. Seja pelo decorrer da acção se passar nessa mesma sala de cinema ou se o mesmo espaço tem apenas importância numa determinada sequência. Espaços de cinema que tomam um papel importante no decorrer da história, numa reunião de assentos que proporcionam o deslumbramento de um espectador perante o filme. Os locais que nos mostram cinema num tempo e num espaço diegéticos. Salas que homenageiam a sétima arte e que se perdem no tempo.  Para esta lista apenas incluí filmes que posso afirmar ter visualizado, mas mesmo dentro desse leque é normal terem-me passado muitos ao lado. Aceitam-se sugestões…

Crítica: Goodbye, Dragon Inn (2003)

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Título Original: Bu san Realização: Tsai Ming-liang Argumento: Sung Hsi; Tsai Ming-liang Elenco: Lee Kang-sheng; Chen Shiang-chyi; Mitamura Kiyonobu
[Spoilers] A última projecção num velho cinema localizado em Taipei. Contabilizados na tela encontram-se os minutos que precedem o fecho das portas. Os assentos pobremente ocupados naquela que se revela como uma boa reflexão sobre a essência do cinema.  E é precisamente com esta premissa que me embrenho no mundo de Tsai Ming-liang. Apesar de se pintar como o primeiro que assisto da sua filmografia, vislumbro uma certa noção estética proveniente de várias influências, que o colocam numa posição competente para poder proclamar que se insere no cinema de autor. A ausência quase absoluta de diálogos. Planos fixos de duração bastante elevada. Ritmo arrastado que proporciona uma noção perfeita de tempo e espaço. Consegue transformar um espaço banal num local habitável pelo espectador. A última sessão especial é dedicada a um clássico de King Hu in…

Crítica: Três Cantos sobre Lenine (1934)

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Título Original: Tri pesni o Lenine Argumento e Realização: Dziga Vertov
[Spoilers]Lenine, chefe de Estado russo, líder do Partido Comunista e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética. Igualmente responsável pela Revolução Russa de 1917, a mesma retratada inúmeras vezes no grande ecrã. Cineastas como Dziga Vertov e Sergei Eisenstein puseram as suas câmaras a trabalhar em prol desta revolução, tornando visível a informação para os espectadores dos dias de hoje. Lenine foi uma grande influência no cinema de Vertov e na sua própria forma de ver o mundo. A 21 de Janeiro de 1924, com apenas 53 anos, Lenine morre e deixa a Rússia um pouco mais pobre. Em jeito de cultivo da memória do chefe de Estado por entre a população, Lenine lança o seu filme Três Cantos sobre Lenine (1934).
“Lenin died but the party he created lives on”
Várias pessoas cantam por toda a Rússia músicas sobre Lenine, sobre a sua presença no mundo e a herança que deixou à população. Lenine, o…

Indie Lisboa '13: Encontros e Desencontros

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Colectânea de cinco curtas enquadradas na secção "Cinema Emergente" que me ocuparam o inicio da noite. Não havendo nenhum que me tenha deixado boquiaberto, Feral e Plutão foram agradáveis surpresas, em especial este último. 
A sessão iniciou-se com uma curta-metragem intitulada Imaculado pelas mãos do realizador Gonçalo Waddington. Um produto fílmico que nos traz uma rotura à ordem das coisas, ao apresentar um homem grávido. O mais interessante foi a subtileza através da qual esta peculiaridade nos foi apresentada. Por outro lado, esperava um maior aprofundamento do protagonista de forma a entendermos se algo está na origem de uma ânsia tão grande de ter um filho. Um argumento simples que merecia um melhor tratamento. O final é, a meu ver, ambíguo e decorrente desse aspecto resulta mais um ponto a seu favor. 5/10
Seguiu-se a única animação por entre o leque de escolhidos, Feral de Daniela Sousa. Uma animação de requinte que despreza uma caracterização mais aprofundada dos ro…

Crítica: Dreams (1990)

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Título Original: Yume Argumento e Realização: Akira Kurosawa Elenco: Akira Terao; Chishu Ryu; Martin Scorsese.
[Spoilers] A 11 de Maio de 1990 estreava no Festival de Cannes o antepenúltimo filme de Akira Kurosawa perante uma recepção um tanto ou quanto recatada. Dreams, tal como o próprio nome indica, apresenta ao espectador o mundo dos sonhos. Mas estes não se escondem em anonimato, pois representam um conjunto de oito sonhos do próprio realizador. E por ser um filme tão pessoal, acabamos por não exigir um produto com as arestas devidamente limadas. Afinal de contas tratam-se de sonhos, produtos do nosso inconsciente.   Poucos seriam os realizadores a conseguir tal proeza. A proeza de envolver por completo os espectadores com um espaço e um tempo tão pessoais. Mas Kurosawa consegue-lo, através de um argumento bem estruturado, que atribui uma determinada ordem consciente a um produto um tanto ou quanto incoerente. Uma selecção dos sonhos que a sua mente empreendeu no decorrer dos seus 8…

Porque os trailers também merecem (X)

Por vezes podem revelar demasiado e estragar qualquer surpresa que pudesse advir da visualização do filme. Podem ser manipulados de forma a dar entender outro propósito sobre o filme. Podem chamar um espectador ou de certa forma repeli-lo. Mas é inegável que um trailer é um pedaço de montagem importante na consciencialização da população para um determinado filme.  O caso que aqui resolvi destacar trata-se de um projecto elaborado pelas mãos de Joana Rodrigues. Da sua mente nasce Trailers de Não-Filmes, um projecto que agrega três curtas que transmitem um certo senso de originalidade. Tive a oportunidade de ver a primeira curta-metragem intitulada Natureza Morta no âmbito do Indie Lisboa e foi uma agradável entrada para a longa-metragem que me fizera deslocar até à cinemateca.  Um projecto que surge a partir de um financiamento nacional deficiente. Ideias que se sentem na realizadora como urgentes de serem libertas e este projecto acaba por ser o meio a usar. Sem dinheiro a usar numa lo…

Indie Lisboa '13: Burn (2001) + Sugar (2005)

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Este quinto dia da décima edição do festival sagrou-se como o primeiro a um nível mais pessoal e educou-me o olhar com a descoberta do trabalho dos cineastas Patrick Jolley e Reynold Reynolds. Sessão que integrou o programa dedicado ao primeiro e que foi apresentada por Linda Quinlan. E passo a citar algumas das palavras desta, usadas em jeito de definição da (curta) obra de Jolley:  "(...) It represents an inner world...unsettling but quite familiar..." Após estas palavras, a sessão iniciou-se com Burn, uma curta-metragem que me conseguiu fascinar, contrariamente ao acompanhamento de longa duração que se lhe sucedeu.  Fogo. Labaredas que tudo consomem no decorrer do seu sedento percurso. Uma força da natureza que não deixa ninguém indiferente. Movimentos, paletes de cores e cheiros que são como símbolos universais. O ser humano reconhece e responde quase que de forma imediata a este perigo exemplar. Uma sensação de medo que se encontra impregnada no senso comum. Mas e se a …

A arte dos posters (XL)

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Prestes a dar-se no tempo o acontecimento que aguardo há vários anos... Before Midnight (2013), Richard Linklater

A muleta da imagem (IV)

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Se há compositor que dispensa qualquer tipo de apresentações esse é o lendário Ennio Morricone. Detentor da mestria exibida na banda-sonora de Nuovo Cinema Paradiso (1988), volta a fazer-me sentir arrepiado com as suas faixas sonoras no filme Once Upon a Time in the West (1968). O tema que envolve a protagonista Jill (Claudia Cardinale) é de uma beleza incrível. O único ponto de vista feminino na obra de Sergio Leone espelhado de uma forma perfeita. Notas que roçam o irreal. Ennio Morricone deixa-me mais uma vez boquiaberto.

Porque os trailers também merecem (IX)

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Por vezes podem revelar demasiado e estragar qualquer surpresa que pudesse advir da visualização do filme. Podem ser manipulados de forma a dar entender outro propósito sobre a obra. Podem chamar um espectador ou de certa forma repeli-lo. Mas é inegável que um trailer é um pedaço de montagem importante na consciencialização da população para um determinado filme.  Já tinha abordado anteriormente o mestre do suspense e o seu olho pelo marketing (aqui e aqui). Agora deixo mais um exemplo de um elegante trailer, ainda que revelador de eventos importantes. Visa a promoção do filme Rope (1948) e conta com uma voz poderosa que se entrega a uma narração empolgante. Ainda que desta vez sem a presença de Hitchcock a deambular pelo cenário, consegue ser bastante original e intrigante. E em adição a isso, inicia-se com uma cena inédita no filme em questão, sendo essa a do último encontro da vítima com a sua noiva.

Os títulos traduzidos em terras lusitanas e brasileiras

aqui tinha referido o espaço Obvious e hoje chamo mais uma vez a atenção para o mesmo. Agora o tema em questão passa pelas traduções de títulos de alguns exemplos fílmicos da sétima arte. Quem nunca se chocou com determinados títulos, seja por revelarem demasiado ou por passarem completamente ao lado do propósito original? Aqui se encontra o artigo a que me refiro...

A arte dos Posters (XXXIX)

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Les Misérables (2012), Tom Hooper

Março em Filmes

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O mês de Março ficou marcado pela minha incursão por entre o cinema fantástico de Jean Cocteau, algo a merecer uma continuação neste mês que agora se inicia. Também me debrucei um pouco mais pelo mundo do célebre Alain Resnais e voltei a deliciar-me com os filmes do realizador Tsai Ming-liang. O documentário Visions of Light ajudou-me a abrir os olhos para o cargo de director de fotografia. The Hourglass Sanatorium maravilhou-me com a sua estonteante mise-en-scène. Apesar de não constarem nesta lista, vários foram os filmes revistos no mês de Março, com o intuito de angariar imagens para um projecto a realizar futuramente na cadeira de montagem. Agora no que toca ao patamar negativo, foi um mês que se ilustrou pela inauguração da classificação "0/10". Posso não ter essa liberdade no IMDB, mas aqui o caso muda de figura.
Filme do mês: Der letzte Mann (1924), de F.W. Murnau - 10 (Crítica aqui)

Outros filmes visualizados:

Hiroshima, mon amour (1959), de Alain Resnais - 9/10
Knife …