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A mostrar mensagens de 2014

TCN 2014: Nomeações

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Nova edição dos TCN Blog Awards, os prémios que têm o condão de agitar ainda mais a blogosfera.

Fargo e Videodrome. O sabor de tais nomeações acaba por se intensificar ainda mais ao saber que consigo transpor para palavras o meu amor por dois grandes produtos do pequeno e grande ecrã. Afinal de contas, quem não gosta de sentir que consegue transmitir através da escrita o entusiasmo suscitado por determinadas obras?
As nomeações para este humano não se ficaram por aí. Encontro-me igualmente nomeado na categoria de melhor rubrica. "Séries aos Quadradinhos" é a prova de que a BD se encontra a espreitar num beco escuro e gradualmente se insurge no panorama televisivo. Rubrica para a qual contribuo e que se originou na massa cinzenta da Syrin e do Gabriel Martins (o muy nobre dono do Alternative Prison). 
Por último, resta referir que o TVDependente se encontra novamente nomeado para melhor blogue colectivo neste que é o meu primeiro ano no seio desta equipa que gradualmente se …

Os pés também falam

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Recentemente tive a minha primeira incursão pelo cinema do sueco Victor Sjöström com a sua obra-prima máxima The Phantom Carriage (1921). Despertou uma vontade imensa de o proclamar como génio, ainda que consciente de que um único filme seria a base para tal afirmação. Seguiu-se The Wind (1928), espelho do seu embrenhar por Hollywood. Ainda que não fascine tanto quanto o primeiro, revela-se magistral trabalho de realização. 
O vento? Sempre presente. Rodopia, embrenha-se numa dança que envolve fascínio, desespero e morte. Invisível na sua existência solitária e efémera. Visível na interacção com o outro. Veículo do horror e aprisionamento sentidos pela protagonista. Carrega consigo a incerteza. Cobre e destapa a consciência da mulher. Preponderante nas suas decisões que não são mais do que maneiras de lhe fugir. 
A expressividade do rosto aliada aos intertítulos. Ambos constroem a linguagem para o cinema mudo. A dada altura, a câmara de Sjöström escapa aos rostos e enquadra os inquie…

A arte dos posters (XLVI)

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Poster alusivo a Offret (1986), um dos melhores filmes do grandioso Andrei Tarkovsky. Foi igualmente o seu último filme, longe da terra natal que lhe caracterizara o início de carreira. E que belo testamento deixou aos aficcionados pela sétima arte. O poster russo reúne os vários elementos presentes no filme, nomeadamente a árvore, a casa e a mesa onde se desenrola. Destaca ainda os vários indivíduos e a solidão espelhada no corte. Simples? Sem dúvida. Ainda assim magnífico e consciente da semente do filme.

A Coragem no cinema

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À semelhança do sucedido em 2013, fui convidado pelo Caminho Largo a participar na iniciativa "1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição". Nesta 2ª edição, a coragem foi o tema de eleição e já conta com a escolha de 40 autores desta comunidade de blogues de cinema.  Podem consultar aqui os 3 filmes que escolhi bem como o realizador que filma a coragem de forma exímia. As minhas escolhas encontram-se lado a lado com a selecção do blogger responsável pelo espaço A Janela Encantada.

Somos homens, ora bolas!

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O filme L'Amour Violé (1978) adequa-se aos contornos de uma tese. A realizadora francesa Yannick Bellon pretende demarcar uma posição ilustrativa do ser feminino que representa e, como tal, apresenta ao espectador uma autêntica batalha de sexos, exigindo que o mesmo escolha um lado e rejeite os ideais do pólo imediatamente oposto. É directa e um tanto ou quanto exaustiva na apresentação dos factos e ambas as características não abonam por completo a seu favor. Os desenhos dos alunos de uma escola primária são exemplo disso mesmo. A tarefa destas crianças passa pelo registo a lápis de cor daquelas que vêem como sendo as tarefas dos respectivos pais. As mulheres são obviamente retratadas como meras donas de casa sem qualquer objectivo visível para além de agradar aos maridos. Não havendo uma única excepção à regra, acaba por perder um pouco a veracidade. Senti que algum método científico estava a ser comprovado diante dos meus olhos e que todas aquelas mulheres ilustradas não eram …

Reflexos: Repulsion (1965), Roman Polanski

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O machado: 1921 vs 1980

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27 de Fevereiro de 2014: o dia que ficou marcado pela visualização do filme The Phantom Carriage (1921). E como transcrever em palavras o quão magnífico é este pedaço de sétima arte? Por enquanto limito-me a deixá-lo repousar.
O destaque dado a esta pérola tem outro propósito. Palco a uma cena bastante semelhante entre o filme de Victor Sjöström e The Shining (1980). Ao vê-la, fui imediatamente remetido para um dos momentos mais icónicos da história do cinema e que assim homenageia o filme sueco. O turbilhão de sensações remetidas por um instante mudo que não se auxilia de diálogos nem gritos como muletas, faz-me pensar que a minha lealdade talvez resida no filme que nasceu primeiramente.
Separados no tempo por quase seis décadas, dois momentos magistrais e dignos de registo:

Plano-sequência (#9): Le Million (1931)

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Uma das aberturas mais belas da história da sétima arte. Uma pequena amostra da grandiosa mise-en-scène exibida no decorrer do filme. Esta curta sequência é despoletada pela despedida entre dois amores que se recolhem no interior das respectivas casas para aguardarem mais uma vez pelo amanhecer que os irá juntar novamente. A arquitectura fornece uma certa intimidade ao teor romântico tão necessário a esta abertura. Habitações tão próximas que nem por isso deixam de delimitar o espaço privado de cada um.
As palavras de boa noite proferidas entre os dois amores marcam o início do movimento de câmara. Uma panorâmica horizontal afasta-se do canto enamorado, dando lugar a um travelling lateral, da esquerda para a direita, que explora a complexidade dos telhados de Paris. Um olhar superior quase omnipresente.
Uma música extremamente animada chama pelo enquadrar da câmara e eleva-se na intensidade com o aproximar desta. É altura do plano dar lugar aos seres nocturnos, aqueles que abandona…

Seis Degraus

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[Spoilers] The Wolf of Wall Street alberga inúmeros pormenores que colocam a visão exacerbada do protagonista no pólo oposto relativamente ao olhar do espectador. A entrada na derradeira 3ª hora do mais recente filme de Martin Scorsese enquadra uma cena exímia a esse respeito. 
Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) tenta desesperadamente alcançar o seu ferrari estacionado em frente ao hotel mas a paralisia cerebral de que é vítima transforma tal necessidade num acto hercúleo. Seis míseros degraus separam este ser da máquina que conduz. Ou assim seria quando enquadrados por uma visão conduzida por padrões normais. Aos olhos do protagonista os degraus multiplicam-se, elevando o arrastar deste corpo a algo verdadeiramente épico. A montagem é magnífica ao alternar entre planos de pormenor que enquadram o rosto da personagem e planos gerais que o incluem no espaço que ocupa. O Ferrari a ocupar o centro do enquadramento como objecto inatingível. O jogo entre planos desmistifica constantemente…