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A mostrar mensagens de Março, 2018

Ecrã de Haneke

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Máxima na ambiguidade, Caché faz aquilo que quer do espectador. O ecrã de televisão sempre à espreita, qual janela aberta a um mundo podre que lhes chega somente por via dos media. A violência é constante adorno à caixa mágica, seja por dentro ou por fora - uma vez visto, impossível afastar da memória o ecrã sujo de sangue em Funny Games. Haneke faz questão em trazer a violência, uma e outra vez no curso da sua carreira, para o colo da classe média-alta. Destrói a bolha de relativa segurança que lhes pontua o privado. No plano aqui em destaque - a passividade de voyeur lida no recorrente olhar fixo da câmara -, Haneke faz questão de equacionar a possibilidade de violência dentro e fora do pequeno ecrã que lhe ocupa o motivo de foco central. Em primeiro plano, o casal protagonista que tenta descobrir o paradeiro do filho. Mais distante e entre ambos, o ecrã - e não serve este como momentâneo e subtil protagonista? - que dispõe a realidade do mundo lá fora. A violência no Médio Oriente …

Dívidas aos ombros

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Na era do olhar como veículo, substituto à ausência de voz audível, contava-se tudo mediante o seu enaltecer. A composição do plano dispõe os credores e a devedora na discrepância do fosso de poder que os demarca entre si. As dívidas nas mãos dos quatro homens em segundo plano. Observam-na de cima, reduzindo-a na importância. O olhar da mulher num crescendo de terror. As mãos em destaque, ainda que não lhes caibam o protagonismo da história. A postura conta a sua condição actual.The Hands of Orlactem aqui um dos seus mais memoráveis quadros.